Sociedade de classes e subdesenvolvimento

Sociedade de classes e subdesenvolvimento

Sinopse

Estimular o crescimento econômico do Brasil e conjugá-lo com a resolução de seus imensos desajustes sociais são itens presentes na agenda política nacional há algumas décadas. Pode-se afirmar que este e outros dilemas que hoje ocupam posto central nos debates sobre o desenvolvimento da economia capitalista no Brasil foram brilhantemente enfrentados nos anos 1960 por Florestan Fernandes com a publicação de Sociedade de Classes e Subdesenvolvimento. No livro, Florestan aponta que os contornos funestos que adquiriram momentos importantes da história brasileira do século XIX, como o processo de independência política do país e a abolição da escravidão - e a consequente emergência do trabalho livre -,contribuíram para a constituição de grandes desalinhos na formação brasileira, visto que as mudanças jurídico-políticas não produziram as alterações socioeconômicas necessárias para a construção de uma ordem social competitiva. A inclusão da economia brasileira no mercado mundial vicejado pelo sistema capitalista é analisada pelo autor em suas diversas faces. De acordo com Florestan, a modernização que se configuraria para um país posicionado na periferia do processo civilizatório levaria à formação de uma sociedade de classes duplamente dependente, pois os rumos de sua economia encontravam-se umbilicalmente vinculados aos interesses e desígnios dos países ricos, bem como seu desenvolvimento sociocultural impossibilitado de se construir de forma autônoma. A reedição de Sociedade de classes e subdesenvolvimento é muito oportuna, tendo em vista que no momento atual a nação brasileira assiste às tentativas dos poderes públicos de estabelecerem dispositivos com o intuito de corrigir as desigualdades socioeconômicas criadas no âmbito do capitalismo brasileiro.

Autor

Florestan Fernandes nasceu em São Paulo, em 1920, e faleceu em 1995. Foi professor catedrático na cadeira de Sociologia I da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Constituiu uma trajetória singular na sociologia brasileira, consagrando-se como um dos maiores estudiosos da realidade social do país e engajando-se politicamente em movimentos que tiveram como cerne o combate às injustiças sociais vivenciadas pelo povo brasileiro. Afastado da universidade pela ditadura militar com base no Ato Institucional nº5, em 1969, exilou-se no Canadá, onde foi professor titular da Universidade de Toronto. Responsável pela consolidação da sociologia crítica no Brasil, Florestan Fernandes produziu trabalhos de importância fundamental acerca dos principais problemas brasileiros. Pela Global Editora, tem publicadas as obras: A Investigação Etnológica no Brasil e Outros Ensaios, Brancos e Negros em São Paulo, Capitalismo Dependente e Classes Sociais na América Latina, Leituras & Legados, Mudanças Sociais no Brasil, O Negro no Mundo dos Brancos e Sociedade de Classes e Subdesenvolvimento.